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Bahia tem 2 milhões de motocicletas, mas 1,8 milhão habilitados para o veículo

Conforme o Departamento de Trânsito da Bahia (Detran) , ao ser questionado se é possível saber a média de motociclistas que circulam sem carteira na Bahia
Foto: Romildo de Jesus Num país de extensão continental como o Brasil, ainda é um desafio para o sistema brasileiro de trânsito fiscalizar a quantidade de pessoas que conduzem veículos sem habilitação. Um estudo inédito da Secretaria Nacional de Trânsito aponta que, dos 34,2 milhões de proprietários de motocicletas, motonetas e ciclomotores registrados no Brasil, 17,5 milhões não possuem habilitação na categoria. A quantidade representa 53,8% do total de proprietários desse tipo de veículo. Como base de dados, a Senatran usou o Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam). Na Bahia, a realidade não é diferente. Embora não seja possível mensurar com precisão, dá pra ter uma ideia. Conforme o Departamento de Trânsito da Bahia (Detran) , ao ser questionado se é possível saber a média de motociclistas que circulam sem carteira na Bahia, o órgão explica que não, mas pelos dados que disponibiliza, já mostra um indicativo. “Infelizmente não é possível fazer essa mensuração”, diz o órgão baiano. Segundo o Detran, existem 2.000.918 registros de motocicletas, mas somente 1.871.285 condutores habilitados nas categorias A, AB, AC, AD e AE. Os dados dão a entender o óbvio: existem mais motos nas ruas do que condutores preparados para o tipo A, de moto. Nesse cenário, cinco estados se sobressaem pela predileção pelos veículos automotivos de duas rodas. São as regiões Nordeste e Norte que lideram as maiores frotas, segundo o Ministério dos Transportes, devido a facilidade de compra e a possibilidade de trabalho, atrelados a fatores econômicos, geográficos e culturais. O Maranhão ocupa o primeiro lugar, com 59,7% do total da frota de veículos do tipo, sendo seguido pelo Piauí, com 54,5%, Pará, com 54,5%, Acre, com 53,1% e Rondônia, com 51,2%. Fatores econômicos, geográficos e culturais dão a entender a predileção da população pelas motocicletas: são nos estados do Norte e Nordeste onde estão a alta proporção.
A discrepância entre condutores habilitados e o total de veículos é justificado nada mais, nada menos, pelo valor para se conseguir as habilitações.; Ou seja: o condutor tem o dinheiro para ter a moto, principal instrumento de trabalho, mas não tem dinheiro para pagar a habilitação. “Mais uma vez temos aqui o problema do que chamamos de cartel das auto-escolas, inclusive acho que foi este jornal que deu uma matéria sobre isso. . A pessoa precisa da moto para trabalhar, mas não tem dinheiro para pagar a habilitação. Precisa de carro, e tudo é muito caro. Então ela escolhe dirigir sem habilitação e pagar para ver”, conta um mototaxista atuante em São Caetano, que prefere não ser identificado. De acordo com o estudo do Senatran, essa grande quantidade de proprietários sem habilitação para conduzir motocicletas, levanta questões sobre o acesso à CNH por parte da população, como reiterado pelo depoimento acima. “Outros motivos levantados são o crescimento de negócios com veículos compartilhados, com o aluguel de motocicletas ou motonetas, por exemplo”, afirma o órgão. Ainda conforme o Detran-BA, por mais que a realidade seja de conhecimento público, a única coisa que resta é a realização de ações transversais com outros órgãos. “Atividade teóricas e práticas, envolvendo instituições privadas”, diz. Ao lado de órgãos fiscalizadores municipais, a instituição busca combater o problema com “blitzes educacionais e de fiscalização para coibir essa infração”. Por Hieros Vasconcelos
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