General concordou com plano de golpe e colocaria ‘Kids Pretos’ na rua, diz Moraes

“Além de ser o responsável operacional pelo emprego da tropa caso a medida de intervenção se concretizasse, os elementos indiciários já reunidos apontam que caberiam às Forças Especiais do Exército (os chamados Kids Pretos) a missão de efetuar a prisão do Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes assim que o decreto presidencial fosse assinado. No dia 02.01.2023, já efetuada a transição de governo, Mauro Cid encaminha ao general Theophilo notícia jornalística com a informação de que poderia ser preso nas primeiras semanas do ano, recebendo como resposta do General: ‘Fique tranquilo Cid. Vou conversar com o Arruda hoje. Nada lhe acontecerá'”, diz Moraes, na decisão que autorizou a operação de ontem.
Estevam Theóphilo teria sinalizado ao então presidente Bolsonaro em uma conversa, no Palácio do Alvorada, que concordava com a ideia de golpe, desde que o ex-chefe do Executivo assinasse a medida. Essa é a conclusão da PF após análise das mensagens obtidas no celular do ex-ajudante da Presidência, Mauro Cid.
As investigações apontam que Estevam Theóphilo teria usado a alta patente que possuía para “influenciar e incitar apoio aos demais núcleos de atuação por meio do endosso de ações e medidas a serem adotadas para consumação do golpe de Estado”. O ex-chefe do Coter integrava o núcleo de oficiais de alta patente com influência e apoio aos demais cinco núcleos do grupo investigado pela PF.
Segundo a PF, integrava o núcleo de alta patente os então ministros Walter Braga Netto (Casa Civil) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa); o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante-geral da Marinha; Mario Fernandes, comandante que ocupou cargos na Secretaria-Geral do governo Bolsonaro; e Laércio Vergílio.
“Os elementos probatórios reunidos ao longo da investigação evidenciaram que os investigados se utilizaram diretamente dos cargos públicos que exerciam tanto em ações relacionadas à tentativa de execução do golpe de Estado quanto para eximir possível responsabilidade criminal pelos atos até então já realizados”, diz Moraes na decisão.
Theóphilo não foi o único militar do Comando de Operações Terrestres do Exército tragado para a organização da tentativa de golpe de Estado. Os elementos da investigação apontam que o general teve o apoio do coronel Cleverson Ney Magalhães, seu assistente no Coter. O militar foi o responsável por organizar um encontro para discutir com os “Kids Pretos” os atos preparatórios para a intervenção.
Fonte: Agência estado