terça-feira, 26 de junho de 2018

Bahia: Pastor acusado de matar evangélicas a pedradas se entrega à polícia


O pastor Edimar da Silva Brito, 39, acusado de matar a pedradas duas evangélicas em janeiro de 2016, em Vitória da Conquista (sudoeste da Bahia), se entregou a Polícia Civil nesta segunda-feira (25). De acordo com o delegado Marcus Vinícius de Morais, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, o pastor se entregou na 6º Coordenadoria de Polícia do Interior (Corpin) de Itabuna, no sul do estado.
“Ele sabia que o cerco estava se fechando e se adiantou”, disse o delegado, segundo o qual a polícia já tinha informações de onde ele estava escondido e planejava realizar uma operação para prendê-lo.
Edimar da Silva Brito estava foragido desde o dia 15 de junho, quando o juiz da Vara do Júri e Execuções Penais de Vitória da Conquista, Reno Viana Soares sentenciou mais uma vez o pastor e os comparsas Fábio de Jesus Santos, 36, Adriano Silva dos Santos, 38, deveriam ser levados a Júri Popular pelo crime de duplo homicídio qualificado.
As vítimas do crime são a pastora Marcilene Oliveira Sampaio, 38, e a prima dela, Ana Cristina Santos Sampaio, 37. Marcilene era professora universitária no campus da Universidade Estadual da Bahia (Uneb) de Brumado (vizinha a Vitória da Conquista) e bastante conhecida no meio acadêmico.
O duplo homicídio ocorreu por motivo de vingança contra a pastora, segundo apuração da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia. Marcilene e Edimar eram de uma mesma igreja, mas se desentenderam e a pastora saiu, levando com ela vários fiéis, o que resultou em perca de receita financeira para Edimar.
A mesma sentença determinou também a prisão preventiva dos três acusados. Adriano foi preso com Fábio três dias após a sentença. No dia 21, porém, Fábio conseguiu uma liminar do Tribunal de Justiça da Bahia, dada pelo desembargador Nilson Castelo Branco, que lhe concedeu a soltura.
Edimar estava solto desde 20 de junho de 2017, e segundo fontes do judiciário local, assim como ocorreu com Fábio, ele deve ganhar a liberdade nos próximos dias, num vai-e-vem judicial que só tem atrasado a finalização do processo.
Esta é a segunda vez que a Justiça sentencia os acusados a irem a Júri Popular. Adriano, o único que não recorreu da sentença, foi condenado a 30 anos de prisão em outubro de 2016, mas em dezembro de 2017 o desembargador Nilson Castelo Branco determinou a nulidade total da sentença de pronúncia do juiz Reno Viana Soares.
A alegação da defesa dos acusados, e que foi acatada por Castelo Branco, é a de cerceamento de defesa dos réus pelo fato de o juiz Reno Viana Soares ter negado pedidos de reconstituição do crime. Com isso, o processo voltou para a primeira instância, tendo o juiz dado a mesma sentença de pronúncia sem permitir a reconstituição do crime.
Tanto o juiz do caso quanto o promotor José Junseira Almdeira de Oliveira, que faz as acusações, são contra a reconstituição do crime – pedida apenas pela defesa de um dos réus – porque acreditam que servirá apenas para atrasar o processo. O problema é que a própria negativa à reconstituição faz caminho semelhante.
Crime de vingança
No crime, ocorrido por volta das 23h de 19 de janeiro de 2016, o pastor Carlos Eduardo, esposo da pastora Marcilene, seguia com ela e Ana Cristina para casa, depois de terem participado de um culto evangélico.

O casal de pastores morava num sítio próximo a Vitória da Conquista e foi perseguido, segundo a polícia, por Edimar e os comparsas com o objetivo de matar Carlos Eduardo e Marcilene.
No caminho de volta, a picape L200 de Carlos Eduardo teve um problema, o que o fez parar na estrada, momento em que os ocupantes do veículo foram abordados por Edmar e os demais – Fábio usava um revólver que pertencia a Adriano.
O pastor Carlos Eduardo foi colocado no veículo usado pelo trio, um Versa banco, e as mulheres foram mortas a golpes de pedra dados por Edmar, segundo relataram Fábio e Adriano em depoimento à polícia.
Após as mulheres serem mortas, o pastor Edmar e Fábio entraram no veículo usado no crime junto com Carlos Eduardo, que passou a sofrer uma série de espancamentos. O rosto da vítima ficou ensanguentado.
Os criminosos seguiam com ele de volta para Vitória da Conquista, quando a vítima tomou o volante e provocou um acidente com outro carro, que trafegava na direção oposta.
Após a batida, Edmar e Fábio fugiram, tendo este sido localizado pela polícia momentos depois. Carlos Eduardo procurou ajuda com as pessoas que estavam no outro carro que colidiu com o dele.
Já Adriano, o outro comparsa, seguiu com a picape dos pastores para uma área rural para tentar esconder o veículo, tendo sido preso na manhã seguinte ao crime, e a picape, recuperada. O pastor Edimar permaneceu foragido por sete dias após o crime, até ser localizado numa fazenda em Ibicuí, sudoeste da Bahia. Ele sempre negou as acusações de ter sido o autor dos crimes.
Fonte: Correios*

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